Monday, April 19, 2021

Vida Longa Mig!! 16

Tem noite que começa assim... Despede-se do entardecer com um click aqui outro acolá. Abre a janela, salpica sementes, quem sabe um pássaro põem-se a pousar. Um tripé, uma lente, silenciosamente, o céu quase escuro. Num olhar perspicaz divide comigo uma estrela, e as vezes até um luar. Outra noite começa assim... Despede-se o entardecer e lá da sala a melodia vem devagarzinho, entre um erro e um acerto, uma nota aqui outra acolá. Até que acerta a partitura ou uma memória latente. Vai crescendo no ritmo e no sentimento. Percebo que quando a música parece tomar conta da casa, ele se intimida, e talvez porque o coração palpite como o meu, ele erra uma tecla. Do polegar ao mindinho com movimentos rápidos para desafinar. Mas é um desafino provocado, pensado. E teve noite que foi assim...Uma barriga, um bebê, um menino. Hoje um rapaz! Vida longa Mig!! 16!!! Estás só começando. Que seu olhar permaneça sensível com suas lentes a registrar. Que sua música te embale sempre, quando precisar. Nós seguimos daqui te ouvindo, te observando, torcendo por você!

Saturday, January 23, 2021

Biscoito, café e memórias

Hoje lembrei, do papai lutando pela vida na sala em frente a TV; um voo longo de Dubai até o Brasil; eu e meu irmão compartilhando os desafios. Nossas conversas ao fim do dia, depois que a casa silenciava, tomávamos um café, um chá, e o danado do biscoito de banana com canela! Encontrei esta semana no mercado, depois de todo esse tempo, comprei só para saborear...as memórias. Nós amamos você foi a ultima frase!

Friday, December 11, 2020

Dia de Clarice

Hoje é dia de Clarice...de escrita e vida.. “A dificuldade de encontrar, para poder exprimir, aquilo que no entanto está ali, dá uma impressão de cegueira. É quando, então, se pede um café. Não é que o café ajude a encontrar a palavra mas representa um ato histérico-libertador, isto é, um ato gratuito que liberta.” Clarisse Lispector

Saturday, November 28, 2020

Pensadora

Pensadora, em dias de chuva, em dias de sol. Fala pouco, mas sente tanto. Ama a chuva, pensa nas plantas que se divertem, no acolhimento de ficar em casa aconchegada, mas lembra do frio, e do corpo molhado de quem não tem abrigo. Muda de lugar. Em dias de sol, repara que tudo fico mais colorido, se alegra. As plantas também gostam, ficam verdinhas, coração ilumina, é luz - esperança para quem não tem abrigo.

Saturday, October 31, 2020

Camila! Feliz Aniversário

Hoje é dia de festa, por isso chove tanto! Conta a lenda, que quando há um motivo grandioso para celebrar, as nuvens derramam água para regar as flores, a terra, e transbordar o mar. Dia da Camilinha, nossa afilhada, escritora por natureza - tece textos lindos, mas já disse que gosta mais de matemática. Uma menina esperta, sensível e observadora. Gosta de brincar e sorrir, de saborear uma boa tigela de açaí, e ter muitos amigos por perto. Um feliz Aniversário para nossa menina, desejamos um novo ano de vida com flores no caminho, e que vocë continue "tecendo" textos - orgulho da madrinha :)

Friday, October 23, 2020

Meu brotinho!

Brotou! Esperei meses para ver seu primeiro broto. Sua folha desenhada como alguém acenando para mim. Ei cheguei, olha aqui embaixo! Linda! Adoro as samambaias choronas, americanas, australianas. Longas ou curtas, sempre bem verdes. Gosto dessas danadas que lembram a infância - casa de mãe e de avó. No meio da pandemia, com coração angustiado ainda por tantas mudanças, segui o conselho de um amigo que me disse: Pat, você não gostava de plantar? Lembrei, e isso bastou para que eu encontrasse uma muda perdida. Ela se arrastava por uma parede, velha e úmida. Pedi licença e cortei uma pontinha. Preparei um vaso com terra boa (daquelas adubadas em galinheiro), remexi, conversei, meditei. A angustia passou devagar. O tempo voou. Fui aguando aquele tronquinho, ate que um dia desses ele acenou para mim! Gratidão Natureza!

Tuesday, October 13, 2020

77 anos - Duas Machadinhas, ele disse!

Meu velho está bonito, não é? Minha sogra costuma dizer. E hoje não vai ser diferente. É o aniversario dele, 77anos, duas machadinhas, ele me disse. Um querido! Adora plantar, cuidar do jardim da casa, revirar a terra. Foi pescador por curtição, e tem muitas histórias para contar. Hoje vi uma foto bacana dele, segurando a bandeira OURIÇO, achei que era bloco de Carnaval, mas ele disse que era a comemoração do campeonato de pesca. Torce pelo Botafogo, o que é desafiador quando os filhos e netos são flamenguistas. Gosta de ver a família reunida! Tem amigos de longa data, e até hoje se reúne para jogar cartas, e conversa fora. Gosta de macarronada, e de comer bem rapidinho, quando senta á mesa. É um homem generoso, de coração grande. Gosto de ver ele sorrindo, admirando os filhos e netos! Parabéns “Carlitos” que o ano seja de luz e alegria como você gosta. Muita saúde para você.

Barba feita!

A primeira barba, sim hoje foi dia de fazer a barba! Enquanto escrevo, ouço ele tocando piano ao fundo. Quase sempre a mesma canção, isso porque ele insiste, e insiste...e mais uma vez, e outra vez. Até ficar perfeito. Acho que já está bom, pelo menos meu coração parece que vai transbordar de emoção quando seus dedos seguem a dançar no teclado. Está lindo, filho! Musica do filme Amelie Poulain, (Comptine d'un autre été) Um dia desses, ele disse: _Pai, quero fazer a barba? E logo ao fim do dia, foram os três para o banheiro naquele ritual. O pai, cauteloso ensinando o barbear pela primeira vez. Miguel um tanto nervoso, acompanhava atentamente o movimento do pai com a gillete, a deslizar pelo rosto. Daniel, se imaginando um dia passando por aquele caminho, filmou tudo, sem perder um instante. Teve até trilha sonora. Achei lindo!

Monday, August 17, 2020

DANI FEZ 10anos

Nosso menino completou dez anos. Há quase quatro meses ele vem falando dessa festa. Como todos os anos, ele faz lista de convidados, verifica o calendário, sugere as comidinhas, tem até playlist de musica para que a diversão seja garantida. E todos os anos a mesma ladainha de quem nós vamos convidar. Ora porque estávamos em Dubai, em meio ao calor e as férias de escola; outras vezes porque estávamos em viagem e também não estávamos perto dos amigos da listinha. Esse ano parecia que seria diferente. Primeiro ano morando no Brasil, casa nova, amigos novos, família por perto. Mas e a quarentena? Sim, isso mudou tudo. Tivemos que nos reinventar, e no final foi quase uma rave! :) Aproveitamos juntinhos na cabana da Fabula dos Sonhos, e confiantes que estaríamos protegidos pela alegria de estar juntos, convidamos só os mais íntimos, primos, titios, dindo e dinda, vovô e vovó. A animação começou na sexta e só teve fim no domingo. As crianças dormiram em cabanas montadas na sala, dançaram como a trupe do Fortnite, e as paredes ficaram coloridas pelas luzes da decoração. Foi assim noite, dia, noite, dia. Dani my love você merece essa festança mesmo em tempo de pandemia, pela alegria da vida que precisamos comemorar e agradecer todos os dias. Feliz Aniversario!!!


Tuesday, May 19, 2020

O menino gringo!

É hora do jantar, nessa quarentena é o momento em que nos reencontramos depois de horas nos computadores, rodando pela casa, inventando atividades.

Daniel ajudou no jantar depois de folharmos o livro "1000 chicken recipes"; Miguel gostou do prato, mas sem querer elogiar o irmão sugeriu:

_ Amanhã vamos fazer cookies.

_ "Vai buscar a receita Mig para saber o que precisamos comprar", eu disse para ele se animar.

_ Qual o livro mãe?

- Cooking Together ou Jamie Olivier. Você pode encontrar também no "Kitchen Essentials"

- Tem um aqui.."Tchu-tchu", é esse?

- Meu filho não é "tchu-tchu"!! Presta atenção: amanhã nós vamos comer "chuchu" com camarão. "Chaiote" em inglës. O livro que você está folheando se chama: Eu sou do camarão ensopadinho com Chuchu, da Roberta Sudbrack.

Daniel riu para provocar o irmão e fez piada do português de gringo desajeitado. Em seguida sorrateiramente me diz que Miguel não levou os pratos para a pia, como deveria fazer.

Levanta o Miguel da mesa indignado e diz:

_Daniel você esta o maior X1!!

Hein? Será quer ele queria dizer X9!





Tuesday, April 21, 2020

Em tempo, olha ele aqui! É o dia dele. 15anos


Em tempo, olha ele aqui! É o dia dele. Do nosso amor maior, o primeiro filho, 15 anos.

Foram 3 meses de enjoos e alguns de contrações antecipadas. Ele queria chegar ao mundo antes da hora! Ah Mig Mig ..calma, tudo no seu tempo! Até que uma noite na consulta de rotina recebemos a noticia de que ele nasceria no dia seguinte. Primeiro neto, primeiro sobrinho, primeiro filho! Família em peso no hospital. Meu pai dizia que seu neto não poderia nascer num planeta sem Papa, sim 19/04/2010 seria anunciado o novo Papa da Igreja e com diferença de poucas horas, entre um anuncio e outro, Habemos Miguel!

Relembramos essa história ontem atravessando a Ponte Rio-Niterói, como fizemos na véspera do nascimento.

Primeiro aniversario no Brasil, e de quarentena! Falei para ele: Filho isso é sorte para toda a vida.



Monday, April 06, 2020

Ah esse abraço! Ele diz tanto..

Ah esse abraço! Ele diz tanto..
Nao resisti ao final e pedi que me deixasse fotografar! Mais um, please. Talvez porque quisesse me demorar ali, congelar no tempo. O relógio para e eu também. Aprendi com o tempo a me entregar. O Dani tem dessas coisas. Chega sorrateiro, te abraça e nao fala nada. Nem precisaria. Te abraça, te olha e te desmonta! Amo.

Friday, January 03, 2020

2019 foi assim

2019 foi um ano difícil! Tivemos muitas dores. Pessoas queridas partiram de Dubai, do Brasil, partiram desta vida de encarnado. Acredito tanto que a morte é uma passagem que só posso dizer que essas pessoas partiram, e não que morreram. Crer na vida após a morte nos conforta, nos da força para seguir adiante, acreditando que em breve nos veremos. Sim, eles partiram. Uns fizeram malas outros não tiveram tempo. Partiu o jovem Lucas, tio Neto, tia Ilce, tio Edmilson, o querido Ivan. 2019 foi assim, com dor, com saudades, com surpresas. Choramos bastante. Sorrimos um pouco. Viajamos, fizemos amigos, lutamos, planejamos, sonhamos. Decidimos voltar para o Brasil!

Sunday, September 23, 2018

Sobre a dor

Sobre a dor
Estou há dias pensando na dor do outro. Quantos no caminho pedindo consolo, uma palavra, um ouvido, um abraço. Falo daquela dor escondida, aquela que esta por traz do sorriso forçado; da fala endireitada; da maquiagem reluzente. É a dor que está no vizinho, no amigo, no parente, mas também afeta o desconhecido do ponto de “ônibus; o moço da padaria; a menina na janela. Nessa reflexão sobre a dor, lembrei de algo que escrevi um dia desses, sobre alguém. Mas aqui ele não precisa ter nome, porque a dor não tem nome, nem endereço, nem avisa a hora que vai chegar. Entra sem bater! Mas há uma certeza, quando ela termina, é porque acabou. É mesmo o fim, e ali um novo ponto de partida. Você vence, e alcança mais um degrau no ciclo da vida. Coragem, acolha a sua dor, ela logo vai passar.

A dor do outro (21-07-2018)
Ela apareceu discretamente nas palavras corriqueiras, escondidas em perguntas onde ela mesmo respondia. Por um instante achei que eu transitaria por aquela casa sem abrir a porta dos fundos. Passei pela sala, pela cozinha, mas foi só no quartinho dos fundos que senti a dor do outro. Conformado, apaziguado, lutando, o outro estava assim. O quarto estava escuro, mas a luz de um abajur fraquinho foi acesa, e consegui enxergar um pouco mais aquele cômodo. Muitas memórias ainda por ali, tudo muito doído, muito recente, e a inda não era hora de abrir as janelas para o sol entrar. Deixa o abajur, deixa ele por lá! Aos poucos nova luz vai penetrar, a dor vai se curar e um novo cômodo vai renascer. A dor do outro precisa ser respeitada, acolhida, pois ela já foi minha e quem sabe a sua também.

Monday, September 10, 2018

Esses dois..

Ah esses dois... quanto amor
Quanto amor envolvido no crescimento dos filhos. Eles nem imaginam, mas há uma grande torcida vibrando por eles. Pai e mãe, avô e avó, tios e primos.
Desde a gestação estamos ali, lado a lado, torcendo para que dê tudo certo, que eles nos reconheçam, que criem raízes no lar, que cresçam e tenham coragem para seguir seus papéis. Qual o pai ou mãe que não desejam isso para o seu filho? Quem não vê a sua cria com orgulho, e acha lindo cada passo?
O gemidinho nas primeiras noites depois da maternidade; aquele olhar de “eu sei quem você é” para a mamãe, e o sorriso maroto para as brincadeiras do papai.
Filhos, se não tê-los como sabê-los, dizia o poetinha e a minha mãe também.
Hoje já estamos aqui, com calças longas e gravatas para a escola. Secundário e primário indicando que a vida é como um pássaro, que do ninho ao voo mais alto, se lança num piscar de olhos.
Mais um ano escolar, e nós continuamos aqui torcendo por eles.



Tuesday, August 14, 2018

Dani agora tem 8!!

E foi numa terca-feira de manhã que nosso menino completou mais um verão. Agora ja temos oito muito bem vividos. Muffin de chocolate com gummibears, cafe da manhã predileto! tem que ter sucão, mistura de laranja, morango e banana. Se tiver açai melhor ainda.
Danie estava feliz ganhou de presente seu primeiro IPad. Até hoje ele usava o do Miguel. aqui em casa os meninos adoram receber o presente logo cedo, junto com um café da manhã especial.


Saturday, July 21, 2018

No bau da minha avó

Foram muitos anos ouvindo histórias contadas e recontadas. Você já deve ter ouvido que quem conta um conto, aumenta um ponto. Vovó era assim.
Contava em detalhes as histórias da infância, os anos no convento, o namoro o casamento, a vida difícil no Rio de Janeiro, no tempo do bonde da praça Onze. Linda cheia de histórias, lágrimas e sorrisos.
Nem vou falar das gostosuras de toda avó. A minha nao era diferente.
Quase posso sentir o cheiro da sua cozinha.
Mas faz tempo que ela partiu, não sem antes me olhar profundamente, me deixar uma bolsa de crochê e um baú fechado.
Dor, saudades, alívio. Certeza da vida após a morte.
O tempo passou, perdi as toalhas, mas reencontrei o baú. Uma caixinha cheia de histórias. Cartas sobre cartas, entre ela e a mãe, entre ela e o namorado, entre ela e ela mesmo. Me perdi naquelas memórias, chorei, sorri, fiz como ela fazia, contava e recontava.
Não sei onde as guardei, mas carrego comigo a memória daquele baú de cartas para que eu possa sempre reler no pensamento e no coração.
Sem esquecer que ela dizia: _ Filha, palavras da boca o vento leva, mas o que se escreve se faz eterno.

Tuesday, July 17, 2018

Eu te abraço Vitória



Estávamos saindo da visita de médico que fizemos a nossa família em Vitória-ES, quando passamos pela vistoria das malas. Bolsas, laptops, telefones, tudo para fora a escorregar pelo túnel que diz se você está apto ou não para embarcar. Máquina bendita! que sempre nos distrai do momento da despedida nos aeroportos.
Deixei ali um pedacinho de mim. Vitória é assim.
Um pedaço da minha infância, da banana da terra, da moqueca que não é peixada.
Esse ritual era da minha mãe, mas por fidelidade e honra ao amor dela a essa parte da família, também os amo e volto a Vitória desde que a mamãe partiu, e que para lá, pela mão, não pode mais me levar.
Volto a Vitória como quem quer resgatar as memórias de uma vida bela, amorosa e divertida das férias mais esperadas da infância.
Hoje, levo meus filhos pela mão, apresento a familia, a moqueca que não é peixada, a banana da terra, e a fabrica Garoto. Não esqueço do convento no alto do morro, onde reflito a vida e celebro as memórias daquele lugar.
E nesta última semana ao passar pelo tal detector de metais, do aeroporto reformado, coração partido, mas renovado, vejo uma grande janela de vidro. Meu filho corre, olha para as montanhas através da janela e estende os braços!
Desta vez é ele quem te abraça, Vitória!

Monday, June 25, 2018

Uma ultima dança...

Uma ultima dança...
Um paço lá outro cá, foram assim todas as vezes que ouvíamos o triangulo a tilintar, a sanfona a chorar, e o piá do Sabiá.
Hoje faz um ano que você partiu, voou como o sabiá.
Aquele que você tanto cantou e dançou.
Essa foi e sempre será a nossa música.
Pai, aqui a minha gratidão por me ensinar a olhar cada segundo da vida como dádiva divina, até a sua última lágrima.
Mas em nossa memória ficará sempre sua alegria de viver.
Amamos você.


Monday, April 02, 2018

E eles partiram: "DXB to GIG - Não é que foi verdade!"

E eles partiram.
Ouvi um estalo na porta por volta das quatro da manhã e pensei, eles estão se aprontando, e quando dei por mim, o relógio me despertava, e já eram 6:30 da manhã. Sim, eles já tinham saído. Foram dezessete dias de passeios, conversas, risadas, memórias. Sami e Du, foi muito bom receber vocês aqui. Até que enfim!!!

Foram anos de muitas piadas e já estava quase proibitivo perguntar, quando é que eles viriam nos visitar.
Todos ou quase todos, os conhecidos e desconhecidos, já haviam passado por aqui nesses treze anos que acampamos no deserto, e eles, que pareciam que nos seguiriam alguns meses após a nossa mudança, foram os últimos. Mas nem por isso os menos amados.
Foi uma alegria recebe-los e constatar que a amizade é assim quando bem regada, planta de raízes fortes que a cada primavera floresce e da frutos. Ciclo de amadurecimento, que sempre se melhora. Amizade!